Mercado interno puxa produção de alumínio

Os fabricantes de alumínio no Brasil vêm reduzindo as exportações de folhas e chapas usadas na confecção de embalagens, e investindo na expansão da sua capacidade de produção, para atender a demanda interna. A procura aumenta com o crescimento econômico e os novos modelos de latas de cervejas e refrigerantes, segundo as empresas que fornecem esses produtos. A Novelis investe US$ 300 milhões neste e no próximo ano em sua planta em Pindamonhangaba (SP), para ampliar a produção de chapas. E a Alcoa já anunciou no mês passado investimentos de R$ 13 milhões na sua linha de folhas da fábrica de Itapissuma (PE), para aumentar a capacidade de 42 mil toneladas por ano para 44,5 mil toneladas, até 2012.

Grande parte do alumínio produzido no Brasil vai para as embalagens. "Cerca de 30% do consumo fica no segmento", calcula Otávio Carvalheira, diretor comercial de produtos primários da Alcoa no Brasil. O salto no consumo exigiu a importação de 1,2 bilhão de latas de bebidas em 2010, lembra Mauro Moreno, vice-presidente de vendas e marketing da Novelis, única empresa do Brasil a fabricar as chapas que, depois, são transformadas em latas. "Vamos aumentar a capacidade de produção em 50% até 2013. Hoje, nossa capacidade é de 400 mil toneladas por ano. Em 2013, será de 600 mil toneladas", prevê Moreno. "Com a maior procura no Brasil, deixamos de exportar para alguns mercados, atendidos por unidades da Novelis em outros países", diz.

A Alcoa também diminuiu as exportações para os EUA e países da América Latina, diz Carvalheira. "Em 2010, a produção de laminados foi de 42 mil toneladas de folhas e chapas, especificamente para o mercado doméstico", afirma. "O câmbio torna a exportação cada vez mais difícil"..

Em 2010, dados preliminares da Associação Brasileira do Alumínio (Abal) indicam que a produção de chapas foi de 502,5 mil toneladas, das quais 388,2 mil (77%) tornaram-se embalagens. A estimativa é que das 88, 2 mil folhas de alumínio feitas no Brasil, 69,5 mil (81%) tenham tido a mesma aplicação. Em 2011, a produção deve alcançar 562 mil toneladas de chapas e 95 mil toneladas de folhas, embora a Abal não tenha uma previsão de quanto deste material irá para latas de bebidas, revestimentos de caixas de leite longa vida e embalagens de remédios.

"Os brasileiros querem mais bebidas individuais", opina Moreno, para explicar porque latas de cerveja e refrigerante vêm sendo mais usadas no lugar de garrafas de vidro: a latinha de cerveja ou refrigerante normal é feita para ser aproveitada por uma pessoa só. Mas, mesmo no caso de bebidas de uso compartilhado, há lugar para o alumínio, como no caso dos "latões" de cerveja, vendidos em supermercados.

A chegada dos "latões", com capacidade de 473 ml, mostra um novo uso do alumínio pelas fabricantes de embalagens: as bebidas passaram a ser oferecidas em quantidades diferentes por unidade, fazendo com que as latas não ficassem apenas no tamanho tradicional, de 350 ml. Hoje, há latinhas menores, de 250 ml, 269 ml e 310 ml vendidas em bares, restaurantes e supermercados. "São inovações que o público adorou", diz Moreno.

Em 2010, o consumo de latas chegou a 17,3 bilhões, segundo a Associação Brasileira de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas). Com o aumento da demanda, os fabricantes do artigo vão investir R$ 1,3 bilhão para incrementar a produção. No começo do próximo ano, a capacidade de o parque industrial de manufatura de latas será de 27,2 bilhões de unidades ano. O coordenador do grupo setorial de laminados da Abal, Augusto Cesar Nogueira e Silva, aponta um crescimento expressivo no consumo do produto no Nordeste, onde também se instalaram novas unidades de produção do artigo.

"Das novas fábricas de latas, a metade estará no Nordeste", diz. Nos cinco primeiros meses deste ano, as unidades da região consumiram 12, 6 mil toneladas de chapas - aumento de 17% em relação ao mesmo período no ano anterior. A produção de latas utiliza alumínio reciclado, o que não acontece no caso das folhas do produto, que exigem uma técnica elaborada e uma liga na qual só pode entrar alumínio. A necessidade de transporte de alimentos por grandes distâncias garante a demanda pelas folhas: por evitar a passagem de luz e oxigênio, elas recobrem o interior das embalagens assépticas, como as caixas de leite longa vida. "Num país como o Brasil, de dimensões continentais, facilita a logística dos produtos, dispensando a refrigeração", lembra Carvalheira.

Os produtores de chapas e folhas podem estar apostando uma corrida com a demanda, mas Moreno, da Novelis, prevê que o alumínio ganhará outros usos como embalagem. "Elas serão usadas em embalagens descartáveis de alimentos. Nos EUA, tudo que sobra no restaurante, as pessoas levam para casa nas quentinhas, em pratos e bandejas descartáveis.

No Brasil, as quentinhas são pouco consumidas. Aqui, esse tipo de embalagem é muito usado em obras, nas quais havia cozinhas - hoje, a comida é produzida em unidades industriais e entregue nos canteiros, com segurança". Os aerossóis, fabricados pela indústria farmacêutica, também passarão a utilizar mais o material, acredita Moreno. "A Bispharma começou a usar, e deve empregar de 7 mil a 8 mil toneladas para produtos impactados, como os aerossóis", afirma.


Fonte: Valor Econômico 

 

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