Produção de cabos bate recorde

A produção de cabos de alumínio para condução de energia registra resultados exuberantes. O ano de 2010 já foi de recordes, com um total de 105 mil toneladas e alta de 20% sobre 2009. Agora, a previsão para este ano é de um salto de 58%, chegando a 167 mil toneladas. Se a estimativa se concretizar, a utilização da capacidade instalada irá beirar 83%. "Nunca se atingiu um volume igual ao do ano passado no Brasil. Com isso, a capacidade utilizada ficou ao redor de 54% para uma capacidade instalada de 183 mil toneladas/ano", afirma Roberto Seta, coordenador do Grupo Setorial Fios e Cabos de Alumínio da Associação Brasileira do Alumínio (Abal).

"As indústrias desse segmento investiram US$ 250 milhões no triênio 2007/2010 para atender a demanda doméstica", completa Sérgio Aredes, presidente do Sindicato da Indústria de Condutores Elétricos, Trefilação e Laminação de Metais Não-ferrosos do Estado de São Paulo (Sindicel). A Abal aponta para a manutenção do aquecimento no setor no próximo ano, porém, em patamares mais baixos. "A previsão para o ano que vem é de recuo, para cerca de 110 mil toneladas", completa Seta.

Dois grandes projetos são responsáveis pela demanda do setor: o programa Luz Para Todos do governo federal e a construção das usinas hidrelétricas do rio Madeira, UHE Jirau (3.300 MW) e UHE Santo Antônio (3.150 MW). "São 2.375 quilômetros de extensão, que absorverão cerca de 140 mil toneladas de cabos de alumínio. Juntos, os dois projetos consumirão 167 mil toneladas de cabos", prevê.

Mais otimista, Aredes, do Sindicel, não acredita em redução da demanda, apesar de concordar que boa parte do consumo tenha origem nas obras do PAC. "As perspectivas para o próximo triênio dependem em boa parte dos investimentos na infraestrutura do país. Mas a alta projetada oscila entre 6% e 9% ao ano." Para 2011, ele aposta em um aumento de 8%. "O setor da construção civil demandou cerca de 39% do total produzido de condutores e produtos semi-manufaturados no ano passado e a expectativa para 2011 é absorver 42% do volume."  


Fonte: Valor Econômico 
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