Interligado pelo alumínio

Em busca da solução do quadro energético, Brasil constrói a maior linha de transmissão do mundo, com 38 mil km de cabos em puro metal

A maior linha de transmissão de energia elétrica do mundo está em construção no Brasil e é feita com cabos integralmente de alumínio. O projeto, que integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal, representa o avanço da fronteira elétrica na região Norte do país, aquela com maior potencial hidrelétrico a explorar. A obra, que interligará Porto Velho, em Rondônia, à cidade de Araraquara, no interior paulista, é composta por duas linhas de 2.375 km de extensão cada - superando os dois mil quilômetros da, até então, maior linha de transmissão existente, a chinesa que liga a usina hidrelétrica de Xiangjiaba a Xangai.

A Linha do Madeira, como está sendo chamada, distribuirá energia ao país vinda das usinas de Santo Antônio e Jirau, ambas em construção no rio Madeira, que integra a bacia Amazônica. Com o Complexo Hidrelétrico do Madeira em funcionamento, o Sistema Interligado Nacional somará à capacidade instalada mais 6.450 megawatts.

O projeto, que deve ficar integralmente pronto até meados de 2013, é composto por duas linhas expressas, paralelas, de corrente contínua. Cada circuito tem dois feixes de condutores, alimentados por quatro cabos cada. São, portanto, oito cabos por circuito, com cerca de 4 cm de diâmetro cada, feitos em alumínio puro, EC 1350, com bitola 2282,8 MCM. Ao total, são 38 mil km desses cabos em alumínio ou, ainda, 120 mil toneladas. Só no setor de cabos, o projeto movimentará cerca de 500 milhões de dólares. 

Mapa mostra traçado da Linha de Transmissão do Madeira, que terá capacidade de somar 6.450 megawatts ao Sistema Interligado Nacional


Mercado em alta

A dimensão do projeto exige que todas as principais empresas fabricantes de cabos de alumínio do país sejam fornecedoras da obra, como Alubar, Nexans, VM-CBA, Phelps Dodge e Prysmian. "Estamos trabalhando a capacidade máxima. Até porque o projeto coincidiu com outras obras grandes para o país, como da Linha de Tucuruí", explica Sidnei Ueda, gerente de engenharia da Nexans.

O projeto do Madeira deve impulsionar o mercado nacional a ponto de estabelecer, em 2011, novo recorde no uso de fios e cabos em alumínio, deixando para trás a marca de 2010, quando teve crescimento de 20% e atingiu uso de 106 mil toneladas, impulsionado principalmente pelo programa federal Luz Para Todos e por outras obras de linhas de transmissão. "Nossa estimativa é de que ultrapassemos 150 mil toneladas de alumínio no setor, um crescimento de mais de 40%", projeta Roberto Seta, coordenador do grupo setorial de fios e cabos da Associação Brasileira do Alumínio.


Fonte: Revista Alumínio

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